14 de junho de 2026

Nunca houve na história do Brasil essa subserviência aos EUA, diz Castro Rocha

Para historiador, bancada bolsonarista não é mais composta de políticos; devemos adotar o conceito de “terrorismo legislativo"

Nunca houve na história do Brasil essa subserviência aos Estados Unidos. O país enfrenta uma ingerência sem precedentes por parte do presidente Donald Trump, em uma situação ainda mais grave do que durante a ditadura, do governo Bolsonaro e do episódio de 8 de janeiro de 2023, que configurou uma tentativa de golpe de Estado.

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Essa é a visão do escritor e historiador João Cezar de Castro Rocha, que explicou, em entrevista ao programa TVGGN 20 Horas [confira abaixo], que “a única razão pela qual Donald Trump está se permitindo essa radicalização contra o Brasil é porque, literalmente, há uma quinta coluna no país como nunca tivemos na história do Brasil”.

Segundo ele, devemos adotar um novo conceito, o de “terrorismo legislativo”, já que a bancada bolsonarista hoje “não é composta por políticos, mas por terroristas legislativos”.

“Nunca houve na história do Brasil uma situação tão inacreditável, tão inverossímil, tão surrealista. Nunca houve deputados e senadores que tivessem sequestrado o Congresso e ameaçassem literalmente fechá-lo se os seus caprichos não fossem atendidos. Hoje, a bancada bolsonarista não é mais composta de políticos, mas de terroristas legislativos”.

Para exemplificar a pressão externa sobre o Brasil, Rocha cita a atuação de Eduardo Bolsonaro — que permanece nos Estados Unidos mesmo após o término de sua licença parlamentar em 20 de julho — tentando intermediar a defesa do pai, Jair Bolsonaro, réu por tentativa de golpe de Estado

“O objetivo é impedir que ministros brasileiros, como Fernando Haddad, se encontrem com autoridades nos EUA, ameaçando envolver na Lei Magnitsky Hugo Motta, Davi Alcolumbre e outros ministros do STF”.

Para Castro Rocha, a única comparação plausível para os desafios enfrentados pelo terceiro governo Lula é o período de Getúlio Vargas, quando ele enfrentou a mídia corporativa, partidos políticos e pressões externas durante seu governo nacionalista.

“Naquele período, Vargas criou a Petrobras, o CNPq e a CAPES, mas acabou sendo levado a um gesto político desesperado, que foi o suicídio (…) Nem em 1964 um presidente norte-americano tomou atitudes similares às de Donald Trump contra o Brasil. Hoje, o governo está sitiado pelo Congresso e pelo Senado, e o que o Executivo consegue fazer apesar do cerco do Congresso é próximo do milagroso”.

Rocha também ponderou que o que mantém o mínimo de estabilidade no país é o fato de que o Senado ainda não foi tomado pela extrema direita, enquanto a mídia “voltou a armar campanhas contra o PT, lembrando esforços para levar à prisão do Lula”, como no auge da Lava Jato.

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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4 Comentários
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  1. Carlos

    18 de agosto de 2025 6:28 pm

    Terroristas legislativos, perfeito!
    E o que deverá ser feito para retornar com estes ratos bolsonaristas para o esgoto.
    Há algum tempo venho levantando este tema: que precisamos conter estes inimigos internos homiziadosprincipalmenteno congresso e na imprensa.

  2. Jose Rinaldo

    18 de agosto de 2025 9:21 pm

    A MÍDIA BRASILEIRA – GLOBO INCLUÍDA – JÁ ESTÁ ACHANDO NORMAL QUAISQUER INTROMISSÕES, AMEAÇAS E PUNIÇÕES DE NACIONAIS POR ATOS AUTOCRÁTICOS E/OU LEIS ESTRANGEIRAS – APLICADAS ILEGALMENTE NO BRASIL -, QUE EXTRAPOLAM, QUEREM EMPORCALHAR NOSSA CONSTITUIÇÃO E HUMILHAM CIDADÃOS E AUTORIDADES BRASILEIRAS. TRADUZINDO: “QUER UM NOVO 1964”.

  3. José de Almeida Bispo

    18 de agosto de 2025 10:25 pm

    HOUVE. Segundo Silvio Romero, em 1908, “houve até quem pregasse – na imprensa e no Congresso – que o Brasil se tornasse um protetorado dos Estados Unidos “. NOSSA MISÉRIA MORAL não nasceu hoje.

  4. Ed.

    18 de agosto de 2025 10:59 pm

    Eu concordo QUASE inteiramente.
    Explico:
    O braZil, desde pelo menos o (último) pós-guerra, sempre foi submetido ao poder estadunidense ATRAVÉS de traidores deslumbrados locais (“oh Deus, por que eu não nasci ‘americano’, puxa vida!).
    Eu os chamo de CAPATAZES (os que cuidam dos interesses estrangeiros aqui) e CORRETORES (os que vendem ou doam nossos ativos/riquezas a eles). Às vezes atuam em conjunto: os corretores (ex. um presidente) entregam e os capatazes (ex. financistas locais) administram a serviço, como nas privatarias.
    O meu “QUASE” se reduz ao seguinte:
    1) O nível de pressão/submissão externa oscila com o nível de resistência: mais soberana ou menos.
    Vargas foi “deposto” assim que a guerra acabou, pois era “muito espertamente brasileiro” pro gosto do império, que (oh ousadia!) teve que negociar um tanto uma base aérea e uma siderúrgica. Assim foi com Vargas II, JK e esse tal de Lula. São épocas onde a pressão deles AUMENTA…
    Já em épocas ‘favoráveis’, como as de FHC, Collor, Temer e Bolsonaro, a pressão diminui.
    No momento “somos desfavoráveis”..
    2) Antes deste bizarro fenômeno chamado Bolsonaro (eleito ‘democraticamente’!), o pessoal entreguista era discreto, DISFARÇAVA dentro do possível.
    Já com bozo, a vergonha dele (e de seu fantástico eleitorado) desapareceu. Ou seja:
    Todos eles PERDERAM A VERGONHA!
    Os capatazes e corretores (*), políticos de ultra direita (bozistas ou não) e também seus eleitores alucinados.
    RESUMO: nunca este trairotismo, está subalternalidade esteve tão escancarada, explícita, desavergonhada!

    (*) Estes são comumente conhecidos como neoliberais, financistas, empresários predadores, sejam eles industriais “de galpão”, ruralistas de exportação ou “da religião” e seus guardiães: a míRdia e parte importante das forças armadas/ de segurança.
    Seu eleitorado é conhecido como “anti petista”, mesmo que NÃO bolsonarista. Votavam nos tucanos/neoliberais e hoje votam em qualquer bozo ou anti-Lula / PT que aparecer.
    No momento ainda estão à procura.

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